Brasília deveria parar.
Essa é a avaliação do homem que é sinônimo de Brasília: Oscar Niemeyer, o maior arquiteto da história do país, e um dos três maiores do mundo. A ideia de que Brasília deveria parar foi feita por Niemeyer no belíssimo documentário "A Vida é um Sopro", de Fabiano Maciel. (obrigado, He Will Be Bach)
Seu raciocínio é simples.
Brasília cresceu muito, muito além do que seus pais fundadores -- o presidente Juscelino Kubistchek, o urbanista Lúcio Costa, o arquiteto Oscar Niemeyer, o construtor Israel Pinheiro e, em parte, o paisagista Roberto Burle Marx. A capital do Brasil é o auge do país, o auge do crescimento estruturado, da criação de algo novo, para um homem novo, cuja existência só seria possível em Brasília.
A cidade cresceu muito. Não é mais cidade de meio de semana, sem povo. Niemeyer -- o único e o mais genial sobrevivente daqueles tempos -- teme que Brasília caminhe para a degradação de São Paulo e Rio de Janeiro, onde a superpopulação fez as pessoas viverem amassadas umas nas outras, e onde a desolação é grande.
A desolação é grande também em Brasília, porque desolação é coisa humana, não coisa criada. Ela já nasce com o homem, que depois pode até criar cidades sem desolação, mas não homens sem desolação. O que Niemeyer quer é que, com menos homens, a desolação é menor, simplesmente porque a vida é melhor.
Para Niemeyer, as cidades, todas elas, deveriam "parar". Que pare Brasília, e que criemos uma cidade nova. "Brasília deveria parar e ser toda circulada com mata, com verde. A partir daí, outra cidade deve nascer, e assim sucessivamente. Essa é a cabeça racional, claro", diz o arquiteto.
Seu raciocínio é simples, como é simples sua arquitetura. Simples como uma composição dos Rolling Stones. É um simples que é complexo, um simples que, no entanto, ninguém faz. Um simples que te faz pensar que é fácil. Mas o que é simples não é fácil.
Nós temos ideias simples, mas nossa vida não é fácil.

Um comentário:
João,
Moro em Brasília faz 5 meses.
Não tenho nada contra Oscar Niemeyer, muito pelo contrario. Acho ele um gênio...
Mas é uma pena ele ter tido como parceiro de trabalho um urbanista como Lucio Costa, que criou uma cidade tão desolada, onde não existe convívio de pessoas no meio urbano.
E sim apenas o convívio de carros...
Isso ajuda em muito a deixar a cidade mais triste.
Postar um comentário